Terminou hoje o I Encontro de Conhecimento Livres promovido pelo Pontão de Cultura Digital do Tapajós. Desde a última quarta-feira, dia 04/11 cerca de 50 pessoas entre ativistas do software livre, monitores de telecentros comunitários, lideranças, educadores, comunicadores populares e gestores de projetos sociais representantes de Pontos e Pontões de Cultura, Telecentros, Infocentros e Casa Brasil de Santarém estiveram reunidos. Companheiros e companheiras de Roraima, Amapá, Amazonas e de várias partes do Pará participaram deste I Encontro.

O Pontão de Cultura Digital do Tapajós está voltado para promover a cultura digital e a articulação entre pontos de cultura da região e é realizado pelo Projeto Saúde e Alegria e Projeto Puraqué com o apoio do Ministério da Cultura/ Programa Cultura Viva, Governo do Estado/ Navegapará e Prefeitura Municipal de Santarém.

A programação esteve recheada de trocas de experiências, oficinas de audio, vídeo, metareciclagem, gráfico, blog e debates sobre como fortalecer a cultura digital na região, além do ato inaugural do laboratório multimídia do Pontão. Um dos principais resultados do evento, foi a criação do Fórum Amazônico de Cultura Digital, dando o início a um processo de articulação permanente com o uso das ferramentas da internet para discussões sobre políticas públicas, projetos, desafios e trocas de experiências, além da preparação de novos encontros de integração.

Em linhas gerais, o fórum quer criar um espaço aberto de discussão que consiga dar visibilidade às questões peculiares sobre como fazer cultura digital na Amazônia, seja através das experiências já existentes, como também discutindo o desafio de fomentar novas iniciativas.

Abaixo a Carta de Santarém, do Fórum Amazônico de Cultura Digital, aprovada durante o encontro, reúne algumas desses princípios. Foi definida a utilização como ferramenta de articulação a rede social do Cultura Digital do Ministério da Cultura e da Rede Nacional de Pesquisa, que você pode acessar em http://culturadigital.br Participe! Se inscreva e dê o seu recado!

Abaixo a íntegra da Carta que pedimos ampla divulgação:

Carta de Santarém – Fórum Amazônico de Cultura Digital

Os Pontos e Pontões de Cultura, Telecentros, Infocentros, Casa Brasil e núcleo de informática educativa, reunidos no I Encontro de Conhecimentos Livres no Pontão de Cultura Digital do Tapajós, em Santarém, nos dias 4 a 6 de novembro de 2009, tem por consenso, as seguintes propostas para a implementação de uma política pública de incentivo às ações de cultura digital na Amazônia.

Considerando que a Cultura digital é um conceito novo e que parte da idéia de que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural. O impacto que ressaltamos é que a tecnologia digital muda os comportamentos e que o uso pleno da internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de democratizar os acessos à informação e ao conhecimento.

A cultura digital maximiza os potenciais dos bens e serviços culturais, amplifica os valores que formam o nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializam também a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte.

A Amazônia, contudo, merece uma atenção diferenciada, do porte das suas dimensões e do investimento necessário para incluir sua população, hoje em grande déficit de políticas de fomento a cultura digital. Para mitigar e iniciar um processo de transformação em nossa região é preciso:

1.Que se amplie e dissemine o debate com toda sociedade civil visando construir consenso para avançar na implementação de marcos regulatórios e de políticas públicas que assegurem a sustentabilidade e permanência de iniciativas de cultura digital. Isso vai superar os obstáculos que se interpõem num contexto de descontinuidades geradas pelas mudanças de gestão;
2.Que os diversos programas sociais e políticas públicas, voltados para assistência social, criança e adolescente, inserção produtiva, educação de jovens e adultos tenham como um de seus componentes as ações de cultura digital;
3.Uma política pública que assegure a qualidade da banda de internet disponível e estimule a redução significativa dos preços de conexão à Internet, tanto para o usuário final como para os provedores locais de serviços de Internet;
4.Assegurar recursos públicos e um marco legal habilitador para a implementação de estratégias de municípios digitais que contemplem projetos de cultura digital públicos e gratuitos como redes de conexão à internet comunitárias, telecentros comunitários e conexões compartilhadas;
5.Que se assegure iguais oportunidades de acesso aos pontos de presença das espinhas dorsais em cada município, tanto para provedores de serviços locais como para iniciativas de inclusão e cultura digital, bem como garantia legal que esses pontos de cultura, telecentros e infocentros, tenham banda de alta disponibilidade à medida que expandam sua utilização no município;
6.Que as iniciativas de cultura digital se aliem a um verdadeiro processo de democratização dos meios de comunicação, reconhecendo e incrementando as rádios comunitárias;
7.Que as iniciativas de cultura digital assegurem uma gestão participativa das comunidades onde estão localizadas e que este seja um critério preponderante nos editais públicos;
8.Fortalecer e incentivar iniciativas de cultura digital que promovam as línguas, os dialetos, as identidades culturais, regionais e étnicas;
9.Que os ambientes de cultura digital estejam de acordo com a legislação vigente no país e acordos internacionais que tratam a questão da acessibilidade, garantindo às pessoas com deficiência o acesso aos bens e serviços públicos;
10.Implementar ações eficazes junto aos pontos de cultura, telecentros e infocentros, trabalhando de forma crítica e construtiva o tema da conscientização socio­ambiental;
11.Incentivo a iniciativas de cultura digital relacionadas à formação, produção e compartilhamento de informação, conteúdo e de conhecimento;
12.Que as políticas públicas de cultura digital incluam as questões de gênero, raça, LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), os povos indígenas, quilombolas, áreas de preservação ambiental, assentamentos rurais, associações de bairros e as comunidades de pescadores;
13.Que os projetos de cultura digital e programas de expansão de conectividade e infra­estrutura lógica fomentados pela esfera pública cheguem às regiões remotas e isoladas, bem como localidades de baixa densidade populacional;

Por fim, nos dispomos a articular/construir o Fórum Amazônico de Cultura Digital, constituído por todos os atores sociais que atuem na área e que desejem integrar esse espaço aberto, democrático e de inclusão, procurando ampliar nossa rede aos países e comunidades no âmbito do Tratado de Cooperação Pan-Amazônico.

Santarém, 06 de novembro de 2009

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Ontem, 05/11 aconteceu a inauguração das instalações do Pontão de Cultura Digital do Tapajós, um projeto que vem sendo desenvolvido pelo Projeto Saúde e Alegria em parceria com o Projeto Puraqué com o poio do Ministério da Cultura/ Programa Cultura Viva, Governo do Estado do Pará, através do Programa Navegapará e a Prefeitura Municipal de Santarém.

O projeto busca a integração das novas tecnologias para a promoção da cultura e a articulação entre diversas experiências de inclusão digital da região e pontos de cultura espalhados em vários estados da Amazônia.

Com a presença da Prefeita de Santarém, Maria do Carmo, na manhã de ontem, foi realizado um ato simbólico de inauguração do espaço localizado na Rua Barjonas de Miranda, 434, Bairro da Aldeia. A inauguração aconteceu durante o I Encontro de Conhecimento Livres que está acontecendo desde ontem com a presença de cerca de 50 pessoas vindas de diversos telecentros e pontos de cultura de Santarém e de outros eestados. Contanto com um infocentro do Navegapá com 15 máquinas conectadas à internet banda larga, o espaço abriga ainda um laboratório multimedia. Assim, além de cursos de informática disponíveis para a população, a proposta é valorizar a produção cultural de nossa região, que pode receber um tratamento audiovisual, virar um CD ou DVD ou mesmo um filme na Internet.

A Prefeita Maria do Carmo ressaltou que o projeto “é mais um exemplo de como as políticas públicas podem ganhar com o conhecimento que as organizações comunitárias tem sobre política comunitária e metodologias de inclusão social. A inclusão digital aqui é também a inclusão social por meio do acesso e uso das novas tecnologias”, afirmou a Prefeita durante o evento.

O Encontro de conhecimentos livres continua com oficinas até amanhã, sexta-feira e finaliza com a criação do Fórum Amazônico de Cultura Digital.

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Começou hoje, 04/11 e vai até sexta-feira, dia 06, o Primeiro Encontro de Conhecimentos Livres do Pontão de Cultura Digital do Tapajós, um projeto que tem por objetivo promover a cultura digital associada à cultura popular da Amazônia, com suas riquezas e peculiaridades, contribuindo para promover uma nova visão de desenvolvimento para a Amazônia, baseada na apropriação das novas tecnologias digitais e do software livre.

Cerca de 50 pessoas vindas de diversas comunidades que possuem telecentros do Projeto Saúde e Alegria e do Projeto Puraquê, e nove Pontos de Cultura de diversos estados da Amazônia (Pará, Amapá, Roraima, Amazonas), já estão participando do encontro que vai marcar a inauguração do laboratório multimídia do Pontão. Os participantes vão participar de oficinas de áudio, vídeo, gráfico, metareciclagem, blog e discutir a criação de um Fórum Amazônico de Cultura Digital.

A programação começou pela manhã com uma animada dinâmica de integração, seguida do pronunciamento dos coordenadores do projeto, além de um bate-papo sobre cultura digital com troca de experiências entre as iniciativas presentes. Hoje às 16:00h acontecerá uma cerimônia de inauguração do espaço do Pontão com a presença da Prefeita de Santarém, Maria do Carmo e lideranças do projeto.

O projeto que vem acontecendo desde 2008 surgiu da aliança entre duas organizações com experiências bem sucedidas de cultura, educação, comunicação e inclusão digital: o Projeto Puraqué, com suas iniciativas de Igarapés digitais e o INDIA – Inclusão Digital da Amazônia; e o Projeto Saúde & Alegria, com sua Rede Mocoronga de Comunicação Popular e o Programa de Inclusão Digital das Comunidades Ribeirinhas. Conta com o apoio do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Pará e da Prefeitura Municipal de Santarém.

O projeto visa a integração entre as iniciativas locais de cultura digital no Oeste do Pará, fortalecendo-as através de espaços de formação e intercâmbio, e os demais Pontos de Cultura espalhados em diversos estados da Amazônia, permitindo animar redes, compartilhar conhecimentos e experiências para fortalecer os conceitos e práticas da cultura digital em nossa região.

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(foto debate sobre a Conferência de Comunicação, Marcos Urupá, Jader Gama, Padre Edilberto Sena e Paulo Lima)
Nos dias 4, 5 e 6 de novembro próximo estaremos realizando, junto com o Projeto Puraqué o I Encontro de Conhecimentos Livres do Pontão de Cultura Digital do Tapajós.  As 16h receberemos a visita da Prefeita Maria do Carmo Martins Lima para fazer a inauguração do espaço.

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Cibercultura 10+10: O evento se propôs a celebrar os 10 anos da edição brasileira do livro Cibercultura de Pierre Lévy. Um seminário de cultura digital com alguns dos mais importantes pesquisadores do fenômeno cultural desencadeado pela revolução das convergências das tecnologias digitais foi realizado no dia 1 de outubro de 2009.

O seminário teve a curadoria do produtor Cláudio Prado e contou com a presença do escritor Pierre Lévy, professor da Universidade de Ottawa; do músico e ex-Ministro Gilberto Gil; do professor da Unicamp Laymert dos Santos; de José Murillo Costa Carvalho Júnior, responsavel pela Cultura Digital no Ministério da Cultura; e dos professores André Lemos e Sérgio Amadeu.

Veja aqui a cobertura do evento: http://pirex.com.br/2009/10/12/cibercultura-10-10/

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do Trezentos

Sérgio Amadeu

A conjuntura política nas vésperas da primeira conferência nacional de comunicação é bastante complexa. O ciberespaço se mostra cada vez mais envolvente e presente nas disputas políticas de nossa sociedade. Ativistas conseguem articular uma grande reação ao projeto de criminalização de práticas cotidianas na Internet defendido pelo Senador Azeredo. Todavia, as velhas forças políticas oligárquicas usam sua força ideológica nas camadas médias do país para articular uma nova direita, agora conectada. Alguns blogueiros, ditos modernos, unem-se as celebridades dos mass media e políticos do PFL para apresentarem-se como inocentes comentaristas dessas nova esfera pública. A velha Globo percebe a importância das redes sociais e organiza a “espontânea” entrada e seus atores e artistas no Twitter seguindo um manual de condutas.

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